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Ninguém sabia ao certo de onde vinha O Violinista. Alguns diziam que surgia das estrelas; outros, que habitava uma cidade distante escondida entre colinas de névoa. Havia quem acreditasse que ele não pertencia ao mundo dos homens, mas ao das histórias que escolhemos guardar no coração. O fato é que, em certas noites de outubro, ele aparecia.
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Naquela noite, o céu estava coberto de estrelas. A antiga rua de paralelepípedos brilhava sob a luz dos lampiões, curvando-se tão acentuadamente que parecia conduzir a outro mundo. Ao longo da calçada, abóboras iluminadas guardavam o caminho, enquanto vitrines e fachadas permaneciam acesas como se toda a cidade estivesse esperando por alguém.
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Foi então que O Violinista surgiu na curva.
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Carregava o violino em uma das mãos e caminhava sem pressa. Passava diante das janelas iluminadas observando tudo em silêncio, como quem procura algo perdido. E talvez procurasse mesmo. Diziam que ele possuía um dom raro: conseguia ouvir saudades. Não as palavras nem os pensamentos, mas as saudades. Cada uma delas tinha uma nota própria, formando melodias invisíveis que apenas ele era capaz de escutar.
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Quando encontrou a canção certa, parou. Levou o violino ao ombro e começou a tocar. As notas subiram ao céu, percorreram as ruas e entraram pelas janelas abertas. As abóboras pareceram brilhar mais intensamente; os reflexos dourados dançaram sobre os paralelepípedos; até as estrelas pareciam ouvir.
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Dentro das casas, as pessoas interromperam suas rotinas. Alguns sorriram sem entender a razão. Outros sentiram os olhos marejarem ao reencontrar lembranças adormecidas. Porque a música do Violinista não transformava o mundo. Apenas devolvia a cada pessoa algo que ela havia perdido dentro de si.
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Quando a última nota desapareceu na noite, ele guardou o instrumento e retomou sua caminhada. Seguiu pela rua curva até desaparecer além da luz dos lampiões. Ninguém tentou detê-lo. Figuras como ele não pertencem a lugar algum. Pertencem aos caminhos, às noites estreladas e às memórias que insistem em viver.
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E dizem que, toda vez que o Halloween retorna e as abóboras voltam a iluminar aquela rua antiga, ainda é possível ouvir, ao longe, uma melodia perdida no vento. Talvez seja apenas imaginação.
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Ou talvez seja O Violinista voltando para casa! 🎻🎃✨
Ilustração definida por EntreNotas e gerada pela IA Copilot. Não é David Garrett, é o personagem O Violinista.
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