A genialidade de David Garrett vai muito além da precisão técnica. Ela reside, sobretudo, na capacidade de transformar a música clássica em algo vivo, dinâmico e profundamente pessoal, sem jamais comprometer a essência das obras que interpreta.
Em uma análise perspicaz sobre o trabalho do violinista, a jornalista Anna Maffei (David Garrett, violinista dos nossos tempos) destaca justamente essa virtude: a união entre uma técnica impecável e um gosto refinado para reinventar peças consagradas.
Diferente da execução rígida que muitas vezes caracteriza a música de concerto, Garrett demonstra uma liberdade ímpar no palco. Como ressalta Maffei, a leitura das partituras dá lugar a uma assimilação absoluta do repertório — as notas já estão claras em sua mente e na ponta dos dedos. Essa fluidez permite ao virtuose alternar andamentos, desacelerar ou acelerar trechos com a segurança de quem conduz a performance em tempo real.
Essa sintonia não acontece de forma isolada. Seja à frente das maiores orquestras do mundo ou acompanhado por sua banda nos projetos de crossover, a harmonia é garantida por uma comunicação quase intuitiva. No palco, um simples olhar é suficiente para que os músicos sintonizem cada variação e sigam o ritmo marcado pelo violino.
É essa combinação de rigor, intuição e cumplicidade coletiva que consolida David Garrett como uma das figuras mais expressivas da música instrumental contemporânea.
Fonte: "David Garrett, violinista dos nossos tempos"/2017, por Anna Maffei
http://www.musicapuntoamici.it/blog/2017/09/david-garrett-il-violinista-dei-nostri-tempi/
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