Os fãs de David Garrett, um mestre na fusão de estilos e na reinterpretação musical, certamente apreciarão a história de Hans-Joachim Koellreutter (1915-2007). Esse musicólogo, compositor e professor alemão radicado no Brasil deixou um legado inestimável, moldando a música brasileira com uma visão artística e humanística sem precedentes.
Nascido em Freiburg, Alemanha, em 1915, Koellreutter iniciou sua promissora carreira como flautista de concerto e regente. Contudo, ao fugir do nazismo em 1937, ele deixou a Europa e veio para o Brasil, onde se tornaria um dos nomes mais influentes da cena musical.
Sua história é fascinante: já respeitado na Alemanha como flautista e regente, Koellreutter teve sua vida virada do avesso com a ascensão de Adolf Hitler. Ao noivar com uma jovem judia, sua família, alinhada ao nazismo, o denunciou à Gestapo. Exilado no Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, onde rapidamente se conectou com ícones como Heitor Villa-Lobos e Mário de Andrade. Em 1938, já lecionava no Conservatório Brasileiro de Música.
A década de 1940 marcou o início de sua intensa contribuição: ele ajudou a fundar a Orquestra Sinfônica Brasileira (onde foi primeiro flautista) e se naturalizou brasileiro em 1948. Sua visão educacional era igualmente forte, participando da criação da Escola Livre de Música de São Paulo (1952) e fundando a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (1954), em Salvador.
Com o fim da Segunda Guerra, Koellreutter teve a oportunidade de levar sua metodologia inovadora para o mundo. A convite do Instituto Goethe, trabalhou em diversos países, incluindo Alemanha, Itália e Índia (onde fundou a Escola de Música de Nova Deli e viveu entre 1965 e 1969). Sua jornada internacional incluiu passagens por Sri Lanka, Japão, Uruguai e Coreia do Sul. Em 1975, retornou ao Brasil, fixando-se em São Paulo, e ao longo de sua vida, recebeu inúmeros prêmios e homenções, além de ter escrito cinco livros.
O movimento Música Viva (1939-1950), idealizado por Koellreutter, foi um marco na música nova brasileira, tornando-se uma das referências mais dinâmicas da época. Ele não se limitava às técnicas europeias tradicionais, incorporando influências diversas dos muitos lugares por onde passou.
Mas, acima de tudo, Koellreutter foi um notável professor. Suas aulas de composição, harmonia e contraponto formaram músicos, educadores e compositores que se tornariam os pilares da cena musical brasileira, incluindo ninguém menos que Tom Jobim, o futuro criador da Bossa Nova.
Sua pedagogia era revolucionária, baseada na liberdade de expressão e na busca pela identidade individual do aluno. Koellreutter incentivava a liberdade de pensamento e a necessidade de cada aspirante a músico encontrar seu próprio caminho. Ele resumia sua filosofia assim:
• "Aprendo com o aluno o que ensinar."
• "Não há valores absolutos, só relativos."
• "Não há coisa errada em arte; o importante é inventar o novo."
• "Não acredite em nada que o professor disser, em nada que você ler e em nada que você pensar; pergunte sempre o porquê."
Koellreutter revolucionou o ensino e a própria visão da arte no Brasil. Seu nome está indissociavelmente ligado à mais importante e radical evolução da cultura musical brasileira pós-Villa-Lobos. O grande mestre faleceu em São Paulo, em 2005, aos 90 anos, e seu legado está preservado na Fundação Koellreutter, da Universidade Federal de São João del Rei.
EntreNotas
Pesquisa: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/4244-hans-joachim-koellreutter
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0711199905.htm
Imagem Koellreuter: https://terradamusicablog.com.br/koellreutter/
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