Resumo Matéria The Strad/Peter Somerford – 6/jul/22
Em junho/22, os leilões de um violino Stradivari do período áureo e um violino Guarneri 'del Gesù' colocaram em destaque mais uma vez os instrumentos clássicos cremonenses e seu valor. Em julho uma matéria na conceituada revista “The Strad” aponta o valor extremamente alto que rotula os antigos violinos cremonenses e nos faz refletir sobre nuances entre antigos e novos instrumentos, que se estiverem realmente corretas, são inquietantes.
Segundo o artigo de Peter Somerford, para alguns observadores, a atenção dada aos violinos multimilionários de Cremona é apenas um exemplo extremo de um exagero de valor dos instrumentos antigos que está atrasando a evolução do violino. "Enquanto os instrumentos antigos forem promovidos dessa forma, continuará a existir um efeito sufocante na fabricação moderna", diz Dirk Jacob Hamoen, fundador e chefe da Escola Holandesa de Fabricação de Violinos. “A maioria dos fabricantes modernos não se atrevem a experimentar. Poderíamos facilmente ter vivido na segunda era de ouro da fabricação de violinos se não fosse o problema de tantas pessoas afirmarem: “É claro que não vamos tocar um violino novo se pudermos comprar um antigo”. Mas conheci muitos violinos antigos cujo som não é nada de especial.”
É um anacronismo que tantos solistas famosos ainda usem Stradivaris que nunca foram planejados para as demandas atuais das salas de concerto, em uma época em que os fabricantes modernos podem construir violinos com o tipo de som que os jovens músicos e ouvintes querem e cresceram ouvindo.
O especialista em violino, autor e avaliador Philip Kass diz: “A força motriz para tocar nos últimos cem anos tem sido “maior, mais alto, mais difícil”. Assim, os músicos estão pedindo coisas aos instrumentos antigos que simplesmente não foram projetados para esse tipo de demanda. Os instrumentos do século 18 não podem ser tocados com tanta força, porque você perde exatamente o que os torna bonitos – aquela cor de som que requer um golpe de arco mais leve, uma corda mais suave, com mais som alcançado pela velocidade do que por pressão.
Talvez os preços astronômicos dos antigos violinos pudesse levar os jovens músicos a ter um olhar de descoberta para os modernos instrumentos, mais fáceis de adquirir, alguns com a qualidade tão boa quanto a de um antigo cremonense e adaptado para as exigências modernas.
Barbara Meyer, curadora da coleção de instrumentos da Royal Academy of Music (RAM) afirma que “existem personalidades fortes e diferentes no tocar contemporâneo e os jovens precisam ser orientados e apresentados a isso para que possam entender as diferenças e ter a oportunidade de explorar instrumentos contemporâneos e antigos para encontrar sua própria voz e opinião”.
Bem, o fato é que nada é eterno e um dia esses antigos instrumentos, hoje sob a guarda de uns poucos privilegiados, deixarão de existir... e então???
Fonte: The Strad
https://www.thestrad.com/for-subscribers/analysis-july-2022-beyond-priceless/14989.article?fbclid=IwY2xjawS8ySpleHRuA2FlbQIxMABicmlkETE2YU9yWWpXbjhTRTJkT0Zkc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHm9QfS-szoowcaNFRA4MZBLhelmndyMkyBcFbDvq3hb6oR_BuWjh3AMN6nnt_aem_CYWWGe8wq-756DrIBbGSyg
Imagem: Nikolai Georgiew
https://www.david-garrett.com/en/music
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